O mercado nacional de tratores agrícolas novos encerrou o ano de 2025 com um desempenho global negativo, refletindo um contexto económico exigente, maior prudência no investimento agrícola e o adiamento de decisões de compra por parte dos produtores. No total, foram matriculados 4.845 tratores agrícolas, menos 16,8% do que em 2024, confirmando um ano de ajustamento significativo para o setor.
Apesar do resultado global desfavorável, 2025 ficou marcado por mudanças relevantes no ranking das marcas, por comportamentos muito diferenciados entre fabricantes e por sinais claros de reposicionamento do mercado.
Dezembro positivo não altera a tendência anual
O mês de dezembro trouxe algum alívio estatístico, com 460 tratores matriculados, correspondendo a um crescimento homólogo de 9,5%. Este desempenho positivo no último mês do ano não foi, no entanto, suficiente para inverter a tendência negativa acumulada, evidenciando que o mercado operou grande parte de 2025 num registo defensivo e altamente seletivo.
Solis assume liderança num mercado em retração
A marca indiana Solis foi uma das grandes protagonistas do ano, assumindo a liderança do mercado nacional. A marca encerrou 2025 com 665 unidades matriculadas, registando um crescimento de 13,9% face ao ano anterior e alcançando uma quota de mercado de 13,73%, a mais elevada entre todos os fabricantes.
Este desempenho confirma a consolidação da marca no segmento dos tratores compactos e utilitários, com uma proposta orientada para a simplicidade mecânica, competitividade de preço e adequação às explorações de pequena e média dimensão.
Marcas tradicionais sob forte pressão
A New Holland, apesar de manter a segunda posição no ranking, foi uma das marcas mais penalizadas em termos absolutos. Com 613 unidades vendidas, registou uma quebra de 41,8% face a 2024, ano em que tinha superado largamente a fasquia das mil unidades. Ainda assim, manteve uma quota de mercado relevante, de 12,65%.
A John Deere terminou o ano em terceiro lugar, com 442 unidades matriculadas, menos 13,3% do que no exercício anterior. Já outros fabricantes históricos apresentaram quebras significativas, como Deutz-Fahr (-23,4%), Kubota (-19,6%), Landini (-26,6%), Case IH (-39,5%), Massey Ferguson (-56,6%) e Claas (-50,9%).
Estes resultados refletem a contração do mercado, mas também o impacto do aumento dos preços, dos custos de financiamento e da maior procura do cliente final por tratores mais simples e económicos, num contexto de menor liquidez.
Marcas que cresceram contra a corrente
Num ano globalmente negativo, algumas marcas conseguiram destacar-se pela positiva. Valtra, Iseki, TAFE, Startrac e Yanmar registaram crescimentos expressivos, ainda que, em alguns casos, associados a volumes absolutos bastante reduzidos. Estes desempenhos evidenciam estratégias comerciais eficazes, foco em nichos específicos e maior proximidade ao cliente final.
Segmentos confirmam retração estrutural
A análise por segmentos reforça o cenário de ajustamento do mercado:
- Tratores compactos: 2.214 unidades (-5,2%)
- Tratores convencionais: 1.792 unidades (-27,5%)
- Tratores especializados: 839 unidades (-17,4%)
Os tratores convencionais foram claramente o segmento mais penalizado, refletindo a quebra do investimento nas explorações de maior dimensão e uma postura mais cautelosa por parte dos agricultores profissionais.
Mercado de reboques agrícolas: forte quebra em dezembro, ano fecha praticamente estável
Em paralelo com o mercado de tratores, o mercado de reboques agrícolas apresentou em 2025 um comportamento distinto. Em dezembro, foram matriculadas apenas 108 unidades, o que representa uma quebra homóloga muito acentuada de 64,7%.
No entanto, no acumulado de janeiro a dezembro de 2025, o mercado fechou com 1.651 reboques agrícolas matriculados, traduzindo-se num ligeiro crescimento de cerca de 1% face ao ano anterior. Esta discrepância evidencia um mercado fortemente condicionado pelo calendário de investimento, pelos ciclos agrícolas e pela gestão financeira das explorações.
Fabricantes nacionais mantêm papel central
O mercado de reboques continua a destacar-se pelo peso determinante dos fabricantes nacionais, que mantêm uma forte presença e uma ligação direta às necessidades do mercado interno. A proximidade ao cliente, a capacidade de adaptação às especificidades regionais e a personalização das soluções continuam a ser fatores-chave para a resiliência deste segmento.
Um sector mais racional e exigente
No seu conjunto, os mercados de tratores e reboques em 2025 revelam um sector mais racional, cauteloso e competitivo. A quebra significativa nos tratores, contrastando com a estabilidade dos reboques, sugere uma estratégia de contenção por parte dos agricultores, privilegiando a extensão da vida útil dos equipamentos principais e investimentos mais seletivos em máquinas complementares.
Perspetivas para 2026
A entrada em 2026 faz-se com expectativas moderadas. A evolução dos apoios comunitários, a estabilização das taxas de juro e a recuperação da confiança do sector agrícola serão determinantes para uma eventual retoma. Até lá, o mercado continuará a exigir propostas claras, fiáveis e ajustadas à realidade económica das explorações portuguesas.
Origem: IMT
Fonte: ACAP