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Bosch entra no negócio da agricultura inteligente em Portugal

A multinacional alemã Bosch decidiu entrar numa nova área de negócio, a agricultura inteligente (smart agriculture).

O responsável da Bosch Portugal por esta nova área, João Teixeira, explica ao Jornal Económico os objetivos do grupo para o mercado interno e sublinha que este segmento de atividade deverá duplicar de faturação a nível global nos próximos anos. As novas soluções propostas pela Bosch para a agricultura em Portugal podem ser aproveitadas pelas culturas de frutos vermelhos, flores de corte, tomates, vinhas, olivais e outras explorações de estufas. As novidades da Bosch foram apresentadas ontem na TecFresh, em Santarém, e permitem aos agricultores, com o seu smartfone, a partir do sofá, controlar o cultivo das suas espécies através de um sistema sofisticado de monitorização das culturas.

Como se vai designar esta nova área de negócio da Bosch?
As soluções Bosch para a agricultura inteligente e conectada estão a ser desenvolvidas pela Deepfield Connect, uma start-up da Bosch.

A entrada do grupo nesta nova área de negócio em Portugal está a ser feita em simultâneo com outros mercados em que a empresa está presente ou existe algum desfasamento?
A Bosch começou a introduzir soluções para a agricultura no mercado em 2015. Como é norma no grupo, a entrada em Portugal acontece de forma estratégica e sustentável, num momento em que as soluções já têm um posicionamento no mercado e já estão a gerar mais de mil milhões de euros em vendas.

Porquê a aposta da Bosch nesta nova área de negócio em Portugal?
O mercado da tecnologia de apoio à agricultura está a crescer em todo o mundo. A Bosch usa o seu extenso know-how para aplicar a IoT [internet das coisas] a esta área de negócio e permitir que os agricultores utilizem sensores para determinar a altura ideal para a colheita; consultem aplicações nos smartphones que os ajudam a medir a humidade, a temperatura dos solos; e utilizem tratores autónomos para trabalhar os campos. Desde os sistemas de motorização e soluções hidráulicas para a maquinaria aos produtos conectados, a empresa está a contribuir para tornar o trabalho dos agricultores mais eficaz e sustentável, e ao mesmo tempo está a conseguir tornar o negócio lucrativo. A entrada no mercado português acontece de forma natural, num momento em que está a expandir o negócio em todo o mundo.

Quais as perspetivas de negócio desta nova área da Bosch em Portugal nos próximos anos?
Há estudos que indicam que o mercado global para a agricultura inteligente vai crescer de 3,5 para 6 mil milhões de euros. A Bosch prevê que o negócio continue a ter um desenvolvimento positivo. Na metade da próxima década, a empresa conta ter duplicado as suas vendas de tecnologias para a agricultura a nível global. Relativamente a Portugal, não há razões para acreditar que o mercado não aceite as soluções que começam agora a ser introduzidas.

Quais as especificidades do mercado português no setor agrícola para uma multinacional como a Bosch?
A Bosch acredita no potencial de Portugal e quer capacitar os agricultores do nosso país com as suas principais inovações na área.

As soluções desenhadas pela Bosch limitam-se aos frutos vermelhos ou são extensíveis a outras produções agrícolas?
As soluções da Bosch são extensíveis a vários tipo de cultura como as flores de corte, tomate, vinha, olival, entre outras explorações de estufas que temos em Portugal.

Existem outras inovações em estudo por parte da Bosch para o setor agrícola?
A Bosch é uma das poucas empresas com o know-how necessário em software, tecnologia de sensores e serviços para tornar a agricultura mais eficiente e sustentável. A empresa está a usar sensores MEMS para medir valores relativos à temperatura e humidade dos campos e transmiti-los para o smartphone dos agricultores através de uma cloud. Além disso, a Bosch Deepfield Connect acaba de apresentar um sistema de monitorização do leite que ajuda a garantir a qualidade do produto que chega ao consumidor. A empresa fornece sensores infravermelhos para os tanques nos quais o leite é armazenado. Estes sensores recolhem dados sobre a qualidade do produto, transmite para a cloud da Bosch que os processa e disponibiliza ao produtor através de uma aplicação no smartphone.

Fonte: Jornal Económico
Jornalista: Nuno Miguel Silva

Publicado em: 22 NOV 2017
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