NOTICÍA

Após crescimento em janeiro, mercado de tratores cai 17,3% em fevereiro

05 Mar 2026

O mercado nacional de tratores agrícolas novos registou uma quebra significativa em fevereiro de 2026. Durante o mês foram matriculadas 283 unidades em Portugal, o que representa uma diminuição homóloga de 17,3% face ao mesmo mês de 2025, de acordo com dados do IMT compilados pela ACAP.

 

 

Apesar da queda registada no mês, o desempenho acumulado dos dois primeiros meses do ano apresenta uma descida mais moderada. Entre janeiro e fevereiro de 2026 foram matriculados 648 tratores agrícolas, menos 5,5% do que no mesmo período de 2025.

 

Segmentos: compactos penalizam resultado do mercado

A análise por segmentos evidencia novamente comportamentos distintos no mercado.

 

Os tratores compactos foram o segmento que mais contribuiu para a retração do mercado em fevereiro, com 132 unidades matriculadas, o que representa uma queda homóloga de 30,9%. Já os tratores convencionais registaram 95 unidades, traduzindo-se numa diminuição mais ligeira de 4,0% face ao mesmo mês do ano anterior.

 

 

Em contraciclo, o segmento dos tratores especializados apresentou um desempenho positivo, com 56 unidades matriculadas, correspondendo a um crescimento de 7,7%. Este comportamento confirma a importância crescente de máquinas orientadas para culturas permanentes e aplicações específicas, como vinha, olival ou operações em terrenos de maior exigência técnica.

 

No acumulado do ano, o mercado mantém esta tendência mista. Enquanto os compactos registam uma quebra de 26,0%, os tratores convencionais crescem 17,5% e os especializados aumentam 18,5%, evidenciando uma procura mais orientada para equipamentos de maior capacidade e especialização.

 

Marcas: alguns fabricantes crescem apesar da quebra do mercado

A análise por marcas revela também desempenhos distintos num mês globalmente negativo para o mercado. A John Deere destacou-se claramente pela positiva, com 30 tratores matriculados em fevereiro, mais do que duplicando o resultado do mesmo mês de 2025, quando tinha registado 13 unidades.

 

Também a Deutz-Fahr apresentou uma evolução favorável, com 32 unidades matriculadas, correspondendo a um crescimento homólogo de 60%. A Hinomoto, a SAME e a Iseki registaram igualmente aumentos expressivos em termos percentuais, ainda que com volumes mais reduzidos.

 

Entre as marcas com presença relevante no mercado, a Solis manteve a liderança mensal com 42 unidades matriculadas, apesar de uma quebra significativa face ao mesmo período do ano anterior.

 

Reboques agrícolas também em queda em fevereiro

O mercado de reboques agrícolas novos acompanhou a tendência negativa no segundo mês do ano. Em fevereiro foram matriculadas 114 unidades, o que representa uma diminuição homóloga de 13,6%.

 

No entanto, no acumulado de janeiro a fevereiro de 2026 o segmento mantém um desempenho positivo, com 268 reboques matriculados, traduzindo-se num crescimento de 1,9% face ao mesmo período de 2025.

 

 

Tal como tem sido habitual, este mercado continua a ser fortemente marcado pelo peso dos fabricantes nacionais, que mantêm uma presença muito relevante em Portugal graças à proximidade ao cliente e à adaptação dos equipamentos às necessidades específicas das explorações agrícolas.

 

Leitura global do mercado

Depois de um arranque positivo em janeiro, o mercado de tratores agrícolas apresentou uma correção em fevereiro, refletindo um contexto de investimento mais cauteloso por parte das explorações agrícolas.

 

A quebra registada nos tratores compactos continua a ser o principal fator de pressão sobre os números globais do mercado. Em contrapartida, a evolução positiva dos segmentos de tratores convencionais e especializados no acumulado do ano sugere que o investimento está cada vez mais orientado para equipamentos associados à produtividade, à mecanização especializada e à eficiência operacional das explorações.

 

Num contexto marcado por incertezas económicas e pela necessidade de racionalizar investimentos, o comportamento do mercado ao longo dos próximos meses será determinante para perceber se o ano de 2026 poderá ainda recuperar a tendência positiva observada no início do ano.

 

Origem: IMT

Fonte: ACAP