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Mercado de tratores cresce 7,7% até março após forte recuperação no mês

07 Abr 2026

O mercado nacional de tratores agrícolas novos registou uma forte recuperação em março de 2026, com 451 unidades matriculadas em Portugal, o que representa um crescimento homólogo de 35,0% face ao mesmo mês de 2025.

 

 

Depois da quebra observada em fevereiro, o terceiro mês do ano acabou por impulsionar o desempenho global do mercado, permitindo fechar o primeiro trimestre com um saldo positivo. Entre janeiro e março foram matriculados 1.099 tratores agrícolas, traduzindo-se num crescimento de 7,7% face ao período homólogo.

 

Segmentos: crescimento generalizado em março, mas tendências distintas no acumulado

A análise por segmentos mostra um mês de março claramente positivo, com aumentos em todas as categorias. Os tratores compactos lideraram o crescimento, com 219 unidades matriculadas, o que corresponde a uma subida de 46,0%. Também os tratores especializados apresentaram um desempenho muito expressivo, com 88 unidades e um crescimento de 51,7%. Já os tratores convencionais registaram 144 unidades, traduzindo-se numa evolução mais moderada, mas ainda assim positiva (+14,3%).

 

 

No acumulado do ano, o comportamento do mercado continua a evidenciar diferenças entre segmentos. Os tratores compactos permanecem em terreno negativo, com uma quebra de 5,0%, enquanto os convencionais crescem 16,3% e os especializados aumentam 30,1%.

 

Este padrão confirma uma tendência já visível nos meses anteriores: o investimento está cada vez mais orientado para equipamentos de maior capacidade e para soluções especializadas, associadas a culturas permanentes e operações mais exigentes.

 

Marcas: liderança mantém-se, mas há mudanças no equilíbrio do mercado

No ranking de marcas, a Solis mantém a liderança no acumulado do primeiro trimestre, com 137 unidades matriculadas, apesar de uma quebra face ao ano anterior. Logo atrás surgem a New Holland, com 122 unidades, e a Deutz-Fahr, com 113, sendo esta última uma das marcas em maior destaque, com um crescimento muito significativo. Também a John Deere apresenta uma evolução claramente positiva, aproximando-se dos lugares cimeiros do mercado.

 

Entre as restantes marcas, verifica-se um conjunto alargado de desempenhos positivos, com destaque para Hinomoto, Iseki e SAME, enquanto outras marcas continuam a perder terreno, refletindo um mercado cada vez mais competitivo e em reconfiguração.

 

Reboques agrícolas aceleram crescimento

O mercado de reboques agrícolas novos apresentou igualmente um mês de março bastante dinâmico. Foram matriculadas 185 unidades, o que corresponde a um crescimento homólogo de 71,3%. No acumulado de janeiro a março, o segmento atingiu 449 unidades, traduzindo-se numa subida de 23,0% face ao mesmo período de 2025.

 

Tal como tem sido habitual, este mercado continua a ser fortemente dominado por fabricantes nacionais, que mantêm um peso muito relevante graças à proximidade ao cliente e à adaptação dos equipamentos às necessidades específicas das explorações agrícolas.

 

 

Categoria T mantém tendência de crescimento

Também o segmento de quadriciclos e empilhadores telescópicos da categoria T apresentou um desempenho muito positivo em março, com 330 unidades matriculadas, correspondendo a um crescimento de 67,5%. No acumulado do primeiro trimestre, este mercado soma 771 unidades, refletindo uma subida de 27,6%.

 

Leitura global do mercado

Após a correção registada em fevereiro, o mercado de tratores agrícolas recuperou de forma expressiva em março, permitindo fechar o primeiro trimestre com um crescimento sólido.

 

Apesar desta evolução positiva, persistem sinais de ajustamento interno, nomeadamente a quebra no segmento dos tratores compactos e a redistribuição de quotas entre marcas. Em contrapartida, o dinamismo dos tratores especializados e convencionais confirma uma procura crescente por soluções mais orientadas para a produtividade e eficiência das explorações.

 

Este enquadramento ocorre, no entanto, num contexto global particularmente incerto. As tensões geopolíticas, com destaque para a situação no Médio Oriente, continuam a pressionar os mercados, refletindo-se, desde logo, no aumento significativo do preço dos combustíveis. A par disso, a perspetiva de subida das taxas de juro poderá agravar os custos de financiamento, condicionando a capacidade de investimento das explorações agrícolas.

 

A este cenário junta-se ainda alguma incerteza no plano comercial, nomeadamente ao nível da distribuição em Portugal de algumas das principais marcas de tratores, o que poderá introduzir novas variáveis na dinâmica do mercado nos próximos meses.

 

Num contexto marcado por múltiplos fatores de pressão, o comportamento do mercado ao longo de 2026 será determinante para perceber até que ponto esta recuperação se poderá consolidar ou dar lugar a um período mais desafiante para o sector.

 

Origem: IMT

Fonte: ACAP