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Ascendum apresenta estratégia para o novo capítulo da Fendt em Portugal

09 Out 2026

O novo capítulo da Fendt em Portugal já tem objetivos definidos. Com a distribuição entregue à Ascendum Agro e Osvaldo Cordeiro a assumir a direção da marca no país, o plano passa por aumentar a quota de mercado, reorganizar a rede de concessionários, reforçar o após-venda e aproximar a Fendt de segmentos onde a sua presença tem sido menos expressiva.

 

 

A estratégia foi apresentada no dia 24 de setembro, num encontro com a imprensa especializada acompanhado pelo Portal Comércio Máquinas, que reuniu responsáveis da Ascendum e da estrutura ibérica e europeia da Fendt/AGCO.

 

José Luís Mendes, CEO da Ascendum Portugal, Rui Faustino, administrador da Ascendum, e Osvaldo Cordeiro, Diretor da Marca Fendt em Portugal, representaram a empresa portuguesa. Da AGCO/Fendt estiveram presentes Javier Seisdedos, General Manager da AGCO Iberia, Fabio Garavelli, responsável de Vendas da Fendt para o Sul da Europa, Giovanni Trezzi, da área de Marketing na Europa, e José Ramón Gonzalez, Gerente de Vendas Fendt para Espanha e Portugal.

 

 

Aumentar a quota de mercado

Um dos primeiros objetivos quantificados foi apresentado por José Luís Mendes. A Ascendum pretende que a Fendt ultrapasse as quotas registadas anteriormente no mercado português de tratores acima dos 80 cv num horizonte de dois anos.

 

De acordo com os números apresentados durante o encontro, este segmento representa aproximadamente 31% a 35% do mercado nacional de tratores. A Fendt parte atualmente de uma quota próxima dos 3,5%, tendo comercializado 52 tratores em 2025, num histórico recente que ronda as 60 unidades anuais.

 

 

O mercado português tem oscilado significativamente nos últimos anos. Na apresentação foi apontado um volume de cerca de 4.700 tratores em 2025, depois de anos em que as matrículas chegaram a superar as 6.000 unidades, sendo considerada uma dimensão de referência próxima das 5.500 unidades anuais.

 

Para crescer, a estratégia deverá passar sobretudo pelo reforço da presença nas classes intermédias. A faixa compreendida entre os 80 e os 169 cv foi identificada como uma das principais oportunidades para aumentar volumes, mantendo simultaneamente a posição alcançada pela Fendt nos tratores de alta potência, acima dos 240 cv.

 

 

Osvaldo Cordeiro lidera nova fase

Grande parte da execução desta estratégia ficará nas mãos de Osvaldo Cordeiro, escolhido para dirigir a Fendt dentro da estrutura da Ascendum. O responsável assume uma operação que pretende aumentar os volumes sem descaracterizar o posicionamento premium da marca. Um dos desafios identificados passa precisamente por contrariar a perceção de que a Fendt é simplesmente uma opção mais cara.

 

O argumento que a nova equipa pretende levar ao mercado será, por isso, menos centrado no preço inicial de aquisição e mais no Custo Total de Propriedade (TCO). Consumo de combustível, produtividade, manutenção e valor residual deverão assumir particular importância nesta abordagem, procurando demonstrar o custo efetivo da máquina ao longo da respetiva vida útil.

 

 

A rede de concessionários é uma prioridade

Osvaldo Cordeiro revelou que a intenção é trabalhar com uma rede focada, procurando assegurar uma maior dedicação à marca e, simultaneamente, a cobertura de Portugal continental e das ilhas. A Ascendum já opera com um concessionário próprio nos Açores e prevê outra unidade a sul do país em 2027, procurando reforçar a cobertura da região.

 

A estratégia passará pela seleção de concessionários parceiros. A redução do número de operadores não significa, contudo, centralizar na Ascendum a relação com os maiores agricultores ou empresas agrícolas. Nas grandes contas, a intenção é desenvolver os negócios em colaboração com o concessionário responsável por cada região. A definição desta nova rede, incluindo a escolha dos parceiros que irão acompanhar a Fendt nesta fase, será uma das prioridades imediatas da nova representação.

 

 

Após-venda e peças entre as prioridades

A capacidade de assistência será outro dos pilares da estratégia. A Ascendum pretende utilizar a estrutura logística e técnica já existente para reforçar o serviço Fendt, incluindo stock próprio de peças e um objetivo de entrega em 24 horas. Na componente técnica, a estrutura portuguesa contará com dois profissionais dedicados especificamente à assistência Fendt, aos quais se juntam dois especialistas em agricultura de precisão.

 

A equipa nacional terá igualmente acesso ao apoio da estrutura ibérica da marca. A importância atribuída ao após-venda está diretamente relacionada com a intenção de aumentar o parque de máquinas Fendt em Portugal. Mais tratores no mercado implicarão também uma maior capacidade de resposta técnica e disponibilidade de peças, sobretudo durante os períodos críticos das campanhas agrícolas.

 

 

Renting chega aos tratores Fendt

Outra das novidades será a aposta em soluções de renting. Osvaldo Cordeiro confirmou a intenção de disponibilizar alternativas de curta e longa duração, procurando adaptar ao setor agrícola modelos de utilização de equipamentos que a Ascendum conhece de outras áreas da sua atividade.

 

Estão já disponíveis soluções de financiamento atrativas em colaboração com a DLL, (em outros mercados a DLL actua em joint venture com a AGCO sob a designação AGCO Finance). O objetivo é criar alternativas à aquisição tradicional e permitir aos clientes analisar o investimento não apenas através do preço de compra, mas também do respetivo custo de utilização.

 

 

Gama intermédia assume importância no crescimento

A estratégia comercial será acompanhada pela renovação que a Fendt tem vindo a realizar na sua gama. Entre as famílias destacadas durante a apresentação encontram-se as séries 500, 600 e 700, particularmente importantes para o crescimento pretendido nas potências intermédias.

 

A transmissão contínua Vario e o conceito de operação FendtONE constituem dois dos elementos tecnológicos transversais que a marca pretende utilizar para reforçar a identidade da gama entre diferentes níveis de potência. Mas a intenção da nova representação passa também por mostrar que a Fendt não se resume aos tratores. O portfólio inclui ceifeiras-debulhadoras, nomeadamente a gama Ideal, picadoras de forragem Katana e uma oferta de equipamentos destinados à produção e recolha de forragem.

 

 

Açores entre as regiões importantes para a forragem

No equipamento forrageiro, a estratégia será mais direcionada em função das características agrícolas de cada região. Os Açores constituem um dos mercados identificados como particularmente interessantes, juntamente com a Bacia Leiteira de Aveiro e outras zonas de forte produção pecuária no Norte. O Alentejo apresenta igualmente oportunidades para algumas destas soluções. Esta segmentação deverá permitir concentrar demonstrações, equipamentos e capacidade comercial nas regiões onde cada família de produtos apresenta maior potencial.

 

Mais demonstrações e tratores no campo

A proximidade ao cliente será outra das áreas onde a Ascendum pretende tornar rapidamente visível a nova representação. Estão previstos roadshows, dias de portas abertas e demonstrações em campo, apoiadas por tratores de teste que permitirão aos potenciais clientes experimentar as máquinas em condições reais de trabalho.

 

A comunicação será igualmente adaptada ao mercado nacional, com conteúdos, notícias e campanhas em português, destacando-se a apresentação do website oficial da Fendt em português https://www.fendt.com/pt/

 

 

2026 será sobretudo um ano de construção

Apesar das metas de crescimento, a Ascendum encara 2026 essencialmente como um período de transição e estruturação. A prioridade imediata estará na definição da rede de concessionários, organização das equipas, reforço do após-venda e criação das condições comerciais necessárias para suportar o crescimento pretendido. A aceleração da atividade deverá tornar-se mais visível em 2027, quando a nova estrutura estiver plenamente operacional.

 

Para Osvaldo Cordeiro, o desafio será transformar uma marca já reconhecida no mercado português, sobretudo nos segmentos de maior potência, numa presença mais abrangente dentro da agricultura nacional.