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SpeedRent aposta na inteligência artificial para transformar o aluguer de equipamentos

02 nov 2026

SpeedRent Intelligent Hub já está em fase de implementação, com um investimento de 600 mil euros, e permite reduzir o tempo de elaboração de propostas comerciais de 30 minutos para menos de um minuto. A plataforma integra ainda soluções de manutenção preditiva e automatização de processos.

 

 

A SpeedRent apresentou, no passado dia 29 de outubro, nas instalações da MOTIVO, em São Domingos de Rana, Cascais, o SpeedRent Intelligent Hub, um projeto de inovação tecnológica que pretende transformar a gestão do aluguer de máquinas e equipamentos através da utilização de inteligência artificial (IA). Com um investimento que se situa atualmente nos 600 mil euros, o projeto já se encontra em fase de implementação no terreno, constituindo uma aposta estratégica da empresa na digitalização e automatização das suas operações.

 

A apresentação, acompanhada pelo Portal Comércio Máquinas, contou com a presença de representantes do Banco Português de Fomento e permitiu conhecer as principais funcionalidades de uma plataforma desenvolvida para otimizar processos comerciais, logísticos e técnicos, aumentando a eficiência operacional e a capacidade de resposta aos clientes. O projeto assenta numa arquitetura de agentes inteligentes especializados, capazes de analisar informação em tempo real, cruzar dados de diferentes áreas da empresa e apoiar a tomada de decisões.

 

Propostas comerciais em menos de um minuto

Uma das funcionalidades demonstradas foi a automatização da elaboração de propostas comerciais para o aluguer de equipamentos. Num processo tradicional, a preparação de uma cotação pode demorar entre 15 e 30 minutos, exigindo a consulta de tabelas de preços, disponibilidade de máquinas, custos de transporte e acessórios necessários para cada operação. Com o novo sistema, o comercial necessita apenas de introduzir informações básicas, como a identificação do cliente, a localização da obra e o tipo de equipamento pretendido.

 

 

A partir destes elementos, a inteligência artificial analisa a informação disponível, sugere os acessórios adequados, calcula os custos associados e prepara automaticamente a proposta comercial. Segundo os dados apresentados pela SpeedRent, todo este processo pode ser concluído em aproximadamente 40 a 50 segundos, permitindo reduzir significativamente o tempo dedicado a tarefas administrativas. A empresa considera que esta capacidade de resposta poderá constituir uma vantagem competitiva relevante no mercado nacional e europeu de aluguer de equipamentos.

 

Logística automatizada e manutenção preditiva

A automatização estende-se também aos procedimentos operacionais associados ao aluguer. Após a aceitação de uma proposta pelo cliente, o sistema permite desencadear, através de uma única operação, as comunicações e notificações necessárias às equipas responsáveis pela logística, transporte e preparação dos equipamentos.

 

 

Outra das áreas estratégicas do SpeedRent Intelligent Hub é a manutenção preditiva. Ao contrário dos sistemas tradicionais, que identificam códigos de erro ou alertas quando determinadas anomalias já ocorreram, a nova plataforma pretende antecipar potenciais avarias através da análise cruzada de dados de telemetria.

 

Entre os parâmetros analisados encontram-se os regimes de funcionamento das máquinas, os períodos de esforço prolongado e as condições de utilização que possam aumentar o risco de problemas mecânicos. Esta abordagem poderá permitir intervenções de manutenção mais atempadas, reduzindo os períodos de imobilização dos equipamentos e melhorando a disponibilidade da frota.

 

Agentes inteligentes apoiam decisões estratégicas

O desenvolvimento tecnológico do SpeedRent Intelligent Hub está a cargo de Nuno Pinto da Silva, responsável pela implementação de uma arquitetura baseada em diferentes agentes de inteligência artificial, especializados em áreas como gestão comercial, logística, assistência técnica, marketing e análise da concorrência. Durante a apresentação, Nuno Pinto da Silva explicou o funcionamento da plataforma, que integra um denominado «Agente Diretor», responsável por coordenar os restantes agentes, cruzar informação e estabelecer prioridades de atuação.

 

 

Por exemplo, perante a possibilidade de desenvolver uma campanha comercial numa determinada região, o sistema poderá analisar simultaneamente a disponibilidade dos equipamentos, os recursos logísticos e a atividade da concorrência, apresentando recomendações fundamentadas. Esta arquitetura permite centralizar a informação operacional e comercial, contribuindo para decisões mais rápidas e uma gestão integrada das diferentes áreas da empresa. Com esta tecnologia, a SpeedRent pretende evoluir para um modelo de gestão em que a inteligência artificial assume um papel central na análise de dados, automatização de processos e apoio à tomada de decisões.

 

Novas funcionalidades em desenvolvimento

O projeto contempla uma segunda fase de desenvolvimento, identificada como versão 2.0, que deverá introduzir novas ferramentas de automatização e apoio à gestão. Entre as funcionalidades previstas encontram-se sistemas de check-in e check-out de equipamentos apoiados por inteligência artificial, capazes de analisar imagens para identificar eventuais danos e apoiar a elaboração de orçamentos de reparação. Estão igualmente previstas soluções de preços dinâmicos, análise financeira e uma aplicação destinada aos clientes, permitindo uma interação mais direta com os serviços da empresa.

 

Tecnologia ao serviço dos colaboradores

Um dos aspetos destacados durante a apresentação foi a dimensão humana do projeto. Impulsionada por José Gameiro, a iniciativa envolve uma equipa multidisciplinar que combina a experiência de gestão com competências de jovens profissionais nas áreas da engenharia mecânica, gestão, design, sociologia e comunicação.

 

 

Segundo a empresa, a introdução da inteligência artificial não tem como objetivo reduzir o número de colaboradores, mas libertá-los de tarefas administrativas e repetitivas, permitindo uma maior dedicação ao acompanhamento dos clientes. No caso das equipas técnicas, esta reorganização poderá também proporcionar mais tempo para formação dos operadores e acompanhamento da utilização dos equipamentos, contribuindo para reduzir avarias associadas a práticas de operação inadequadas.