O Portal Comércio Máquinas acompanhou, em Salvaterra de Magos, o primeiro RowShow realizado em Portugal. O evento reuniu cerca de 50 agricultores para conhecerem em condições reais de trabalho a tecnologia da Grimme para a colheita de cenouras, batatas, cebolas e outras culturas hortícolas, com destaque para a primeira colhedora automotriz Varitron 470 de quatro linhas vendida no país.
A Grimme, fabricante alemã especializada em máquinas para as culturas hortícolas, realizou no dia 9 de julho, em Salvaterra de Magos, o primeiro RowShow organizado em Portugal.
A iniciativa foi promovida em parceria com a Pelarigo Máquinas, importador oficial da marca para o mercado português, e decorreu num dos terrenos de Márcio Santos, proprietário da empresa Cabaz Verde, onde trabalha a primeira Grimme Varitron 470 de quatro linhas comercializada no país.
O Portal Comércio Máquinas acompanhou este dia de campo, que reuniu cerca de meia centena de produtores especializados. Ao longo da jornada, os participantes puderam observar a máquina em funcionamento, conhecer em detalhe as suas características e trocar experiências diretamente com os responsáveis técnicos e comerciais da Grimme e da Pelarigo Máquinas.
Temos de continuar a acreditar na agricultura
Na abertura do evento, Bruno Pelarigo, sócio-gerente da Pelarigo Máquinas, explicou que o RowShow é um conceito promovido internacionalmente pela Grimme e que chegou agora, pela primeira vez, ao mercado português.
O objetivo passa por apresentar as máquinas no ambiente onde o seu desempenho pode ser verdadeiramente avaliado: o campo.
Apesar da atual conjuntura de incerteza, Bruno Pelarigo deixou uma mensagem de confiança aos produtores, defendendo que a agricultura continua a ter futuro e que o investimento em tecnologia é essencial para assegurar produtos de elevada qualidade, aumentar a competitividade e preparar as explorações para desafios como a escassez de mão de obra, os custos de produção e a crescente exigência dos mercados.
O responsável destacou ainda que a realização deste primeiro RowShow constitui um sinal da confiança que a Grimme deposita na Pelarigo Máquinas, numa parceria iniciada há quatro anos e que continua a consolidar-se em Portugal.
Philipp Grimme deixa mensagem de resiliência aos agricultores
A importância atribuída ao encontro ficou igualmente demonstrada pela presença de Philipp Grimme, um dos sócios da empresa familiar alemã.
Em conversa com o Portal Comércio Máquinas, Philipp Grimme reconheceu que os produtores atravessam um momento desafiante, marcado por preços baixos e alguma instabilidade nos mercados. Ainda assim, defendeu que é precisamente nas fases mais difíceis que os agricultores devem apoiar-se em parceiros locais sólidos e próximos.
Nesse contexto, destacou o papel da Pelarigo Máquinas no mercado português, valorizando a proximidade aos clientes, o conhecimento das condições locais e a capacidade de assegurar acompanhamento técnico.
Philipp Grimme mostrou-se também otimista em relação ao futuro das culturas da batata, cenoura e cebola, afirmando acreditar que existe "uma luz ao fundo do túnel" e incentivando os produtores a não desistirem perante as dificuldades conjunturais.
O responsável sublinhou ainda a importância prática dos dias de campo. Para a Grimme, observar uma máquina a trabalhar em condições reais continua a ser a melhor forma de os agricultores compreenderem os ganhos de capacidade, qualidade e eficiência que a mecanização pode proporcionar.
Além da demonstração, Philipp Grimme valorizou a oportunidade de conviver diretamente com os produtores, partilhar o almoço, debater ideias e esclarecer dúvidas. Num momento mais descontraído, prometeu que, na próxima visita a Portugal, regressará vestido de calções.
A máquina que evitou a perda de uma cultura inteira
Um dos testemunhos mais marcantes do dia foi o de Márcio Santos, proprietário da Cabaz Verde e primeiro agricultor português a investir numa Grimme Varitron 470 de quatro linhas.
A máquina já trabalhou cerca de 200 hectares, destacando-se, segundo o produtor, pela rapidez da colheita, pela qualidade da limpeza e pelo maior conforto proporcionado ao operador.
A produtividade alcançada permite responder aos períodos de maior intensidade da campanha e colher volumes suficientes para abastecer entre 10 e 15 camiões por dia, uma capacidade que anteriormente não estava disponível na exploração.
Contudo, foi durante a campanha passada que a Varitron 470 demonstrou de forma mais evidente o seu valor.
Na sequência de um inverno particularmente chuvoso, um dos terrenos encontrava-se em condições muito difíceis, colocando seriamente em causa a possibilidade de realizar a colheita. Graças à tração às quatro rodas, à regulação automática do deslizamento e à capacidade de operar em solos pesados, a máquina conseguiu entrar no campo e concluir o trabalho.
Segundo Márcio Santos, essa capacidade permitiu aproveitar uma cultura que, de outra forma, teria sido totalmente perdida.
O caso demonstra como o investimento numa máquina com maior capacidade de tração e adaptação ao terreno pode representar muito mais do que um ganho de produtividade: em determinadas situações, pode fazer a diferença entre colher ou perder integralmente uma campanha.
Além disso, a elevada produtividade da máquina permite responder aos períodos de maior intensidade da campanha, conseguindo colher produto suficiente para abastecer entre 10 e 15 camiões por dia, algo que anteriormente não era possível.
Inovação para aumentar a competitividade
Para Konrad Broxtermann, responsável da Grimme pelo mercado ibérico, os agricultores portugueses e espanhóis têm demonstrado uma forte abertura à inovação e à modernização das suas explorações.
Nos últimos anos, o investimento tecnológico tem permitido otimizar operações, reduzir tempos de trabalho, controlar custos e melhorar a competitividade num mercado progressivamente mais exigente.
Segundo o responsável, a inovação deve continuar a ser encarada como uma resposta concreta aos problemas enfrentados no terreno. A mensagem deixada aos produtores foi clara: continuar a trabalhar, a investir e a procurar soluções que permitam melhorar os processos produtivos e as condições de trabalho.
Município destaca importância estratégica da agricultura
O evento contou também com a presença da presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Helena Neves, que acompanhou a demonstração e destacou a relevância da agricultura para a economia do concelho.
A autarca valorizou o investimento realizado pelos produtores locais em mecanização e inovação, considerando essencial a articulação entre agricultores, empresas de maquinaria e fabricantes de tecnologia.
Perante desafios como a falta de mão de obra, o aumento dos custos de produção e as exigências de sustentabilidade, Helena Neves defendeu que a incorporação de novas soluções técnicas será determinante para garantir a continuidade e a competitividade da atividade agrícola.
Garantiu ainda que o município continuará a acompanhar e a apoiar iniciativas que promovam a inovação, a modernização e o desenvolvimento do setor no concelho.
Varitron 470: quatro linhas e elevada capacidade de trabalho
Durante a apresentação técnica, Henrik Hellbernd, especialista de produto da Grimme, conduziu os participantes por diferentes áreas da máquina e explicou as soluções integradas na Varitron 470.
O conceito da máquina assenta numa elevada versatilidade de aplicação, podendo ser adaptada à colheita de batatas, cenouras, cebolas e outros produtos, através de diferentes configurações dos dispositivos de colhimento e separação.
Na versão demonstrada em Portugal, a Varitron 470 trabalha em quatro linhas, proporcionando uma elevada capacidade de colheita e reduzindo o número de passagens necessárias.
Em condições normais, a máquina pode efetuar o corte da rama e a colheita numa só passagem. Durante esta demonstração, a rama foi previamente cortada devido ao estado mais avançado e endurecido da cultura, permitindo otimizar o trabalho realizado ao longo do dia.
Controlo automático da profundidade
A unidade de colhimento utiliza sensores para acompanhar a superfície do terreno e manter a profundidade de trabalho definida pelo operador.
Este controlo automático procura assegurar uma entrada uniforme do produto, reduzindo perdas e evitando uma recolha excessiva de terra. A pressão pode ser regulada continuamente através do sistema TerraControl, enquanto os discos de corte independentes ajudam a manter o fluxo do produto e a evitar acumulações de rama.
A máquina pode ainda ser configurada para diferentes tipos de colheita, permitindo adaptar o sistema às características da cultura e às condições do terreno.
Tapetes regulados em função da carga
A Varitron 470 dispõe de amplos canais de peneiração e de vários tapetes hidráulicos, cujas velocidades podem ser reguladas individualmente a partir da cabine.
O sistema Speedtronic-Web ajusta automaticamente a velocidade dos tapetes de peneira em função da velocidade de avanço e da quantidade de produto presente. Desta forma, a máquina procura manter um fluxo constante e reduzir simultaneamente o risco de danos.
Os tapetes podem ser invertidos individualmente, facilitando a eliminação de eventuais bloqueios. A função Turbo Clean permite igualmente apoiar a limpeza dos tapetes e dos dispositivos de separação.
MultiSep adapta a limpeza ao terreno e à cultura
Um dos elementos centrais da máquina é o sistema de separação MultiSep, desenvolvido pela Grimme para separar o produto da terra, rama e restantes impurezas.
A configuração dos rolos pode ser adaptada à cultura e às condições encontradas no campo. Em cenoura, os elementos podem trabalhar no mesmo sentido, enquanto noutras culturas, como a batata, podem ser utilizados sentidos de rotação distintos.
A Grimme disponibiliza diferentes soluções de separação: o MultiSep pode trabalhar em solos leves ou pesados, enquanto os sistemas de rolos RS e Vario RS são particularmente indicados para terrenos de maior dificuldade.
A separação em toda a largura da máquina contribui para aumentar a capacidade de trabalho e criar melhores condições para as fases seguintes do fluxo do produto.
Proteção do produto ao longo de todo o percurso
A proteção da cultura foi outro dos aspetos destacados por Henrik Hellbernd.
Os elevadores e tapetes foram concebidos para manter reduzidas as alturas de queda e assegurar transferências mais suaves entre os diferentes órgãos. Componentes laterais ativos e arrastadores acolchoados ajudam igualmente a limitar danos durante o transporte interno.
O elevador anular dispõe de regulação Speedtronic em função da carga, enquanto o elevador de rama fina assegura uma separação adicional de terra e resíduos antes da entrada do produto na zona de descarga.
Tração integral e regulação automática do deslizamento
O chassi da Varitron 470 foi desenvolvido para proporcionar capacidade de tração e manobrabilidade em diferentes condições.
A máquina dispõe de tração às quatro rodas, direção automática do eixo traseiro e regulação automática do deslizamento. Estas características assumem especial importância em terrenos húmidos, pesados ou com menor capacidade de sustentação.
O eixo dianteiro pode deslocar-se lateralmente, transferindo parte do peso para a área já colhida e evitando que as rodas passem sobre as linhas ainda por trabalhar.
O piloto automático alivia o operador durante a colheita, permitindo-lhe concentrar-se na regulação dos órgãos da máquina e na monitorização da qualidade do produto.
Motor Mercedes MTU e autonomia para longas jornadas
A Varitron 470 é equipada com um motor Mercedes MTU de 460 cv, concebido para disponibilizar potência a regimes de rotação reduzidos e contribuir para um menor consumo de combustível.
Os depósitos têm capacidade para 600 litros de gasóleo e 40 litros de AdBlue, proporcionando autonomia para longos dias de trabalho.
A facilidade de manutenção foi igualmente considerada no desenvolvimento da máquina, com longos intervalos de serviço e uma ligação de ar comprimido na zona superior para apoiar a limpeza do compartimento do motor.
Dependendo da homologação do mercado, a máquina pode atingir uma velocidade máxima de deslocação de 30 km/h.
Descarga contínua e elevada capacidade
A Varitron 470 pode ser equipada com uma tremonha NonstopBunker de 7 toneladas, permitindo continuar a colher durante a descarga para o reboque ou camião.
O enchimento é realizado automaticamente, aliviando a carga de trabalho do operador. O fundo da tremonha, construído numa só peça, e o elevador de enchimento com descida profunda procuram reduzir a altura de queda e proteger o produto.
Durante o RowShow, os participantes puderam observar o funcionamento do sistema de descarga e a possibilidade de ajustar a posição do tapete para reduzir o impacto do produto no interior do veículo de transporte.
Treze câmaras e gestão digital
A máquina utilizada por Márcio Santos dispõe de 13 câmaras, que permitem acompanhar em tempo real diferentes pontos do processo de colheita e limpeza.
Quando é detetada uma anomalia, a imagem da área correspondente pode ser apresentada automaticamente ao operador. A câmara traseira é igualmente ativada durante as manobras de marcha-atrás.
O sistema SmartView disponibiliza uma ampla área de visualização e funções como zoom, reprodução em câmara lenta e transmissão de imagens por Wi-Fi para dispositivos móveis.
Através do MemoryControl, o operador pode guardar e recuperar diferentes parâmetros de colheita, facilitando a adaptação da máquina a culturas, terrenos ou condições específicas.
Os dados da operação podem ainda ser acompanhados remotamente através do portal myGRIMME, permitindo consultar informação sobre a máquina e apoiar a gestão da utilização e da assistência técnica.
Cabine concebida para reduzir a fadiga
O conforto do operador assume particular importância numa máquina destinada a trabalhar durante várias horas consecutivas.
A posição elevada e recuada da cabine proporciona uma visão direta sobre o dispositivo de colheita. A iluminação LED de 360 graus facilita o trabalho em períodos de menor luminosidade, enquanto o interface digital da Grimme e o apoio de braço ErgoDrive concentram os principais comandos.
Márcio Santos destacou precisamente esta melhoria das condições de trabalho, referindo que o operador deixou de passar grande parte do tempo virado para trás, reduzindo a fadiga durante jornadas prolongadas.
A manutenção também esteve em destaque
A configuração da máquina permite elevar diferentes componentes para facilitar o acesso durante as intervenções de limpeza e manutenção.
O desramador HT 400, por exemplo, pode ser colocado numa posição elevada, criando melhores condições para a inspeção e substituição de componentes. O seu acoplamento e desacoplamento foram igualmente simplificados.
A possibilidade de inverter individualmente tapetes, elevadores e elementos de extração permite resolver mais rapidamente eventuais bloqueios e reduzir os tempos de paragem em plena campanha.
Nova cinta Riconda promete maior durabilidade
No final da demonstração, a Grimme apresentou também a Riconda, uma nova cinta desenvolvida pela Ricon, empresa pertencente ao mesmo grupo.
A solução resulta de cerca de oito anos de desenvolvimento e ensaios. Segundo a marca, a sua construção reforçada permite aumentar a resistência nas zonas onde tradicionalmente ocorrem ruturas.
O desenho modular facilita a montagem e permite substituir apenas a secção danificada, em vez de toda a cinta. Esta solução reduz o peso dos componentes a manusear, simplifica as reparações e ajuda a diminuir os tempos de imobilização da máquina.
O campo continua a ser o melhor palco para a inovação
O primeiro RowShow da Grimme em Portugal mostrou que a demonstração em condições reais continua a ser uma das formas mais eficazes de apresentar maquinaria agrícola especializada.
Ao longo do dia, os produtores puderam observar o funcionamento da Varitron 470, esclarecer dúvidas diretamente com os técnicos da marca e conhecer a experiência de quem já utiliza a máquina diariamente. O encontro terminou com um almoço-convívio, que prolongou a troca de experiências entre agricultores, fabricante e importador.
A principal conclusão ficou ilustrada pelo testemunho de Márcio Santos: em determinadas campanhas, a diferença entre perder uma cultura ou conseguir colhê-la pode depender da capacidade da máquina certa entrar no campo quando todas as outras ficam à porta.