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J. Inácio aposta nos drones agrícolas XAG com o novo P150 Max

16 Set 2026

A J. Inácio Máquinas Agrícolas está a reforçar a sua aposta na agricultura de precisão com a introdução em Portugal dos drones agrícolas XAG. No Mondego Agrícola, o Comércio Máquinas conheceu de perto o P150 Max, um equipamento de elevada capacidade destinado a operações de pulverização e distribuição de sólidos, com aplicações que vão das culturas extensivas à vinha e pomares.

 

 

A utilização de drones nas operações agrícolas continua a ganhar espaço e foi precisamente uma das tecnologias que despertou a nossa atenção durante a passagem pelo Mondego Agrícola.

 

A J. Inácio apresentou no evento dois XAG P150 Max, modelo que representa uma nova aposta da empresa na área da agricultura de precisão.

 

Roberto Oliveira, responsável por esta área na J. Inácio Máquinas Agrícolas, explicou ao Comércio Máquinas as principais características do equipamento e as possibilidades que este tipo de solução abre para diferentes culturas.

 

“Temos aqui dois drones XAG P150 Max, com capacidade de 80 litros de líquidos”, explicou. Para aplicação de sólidos, o modelo pode receber um depósito de 115 litros, com capacidade para transportar até 80 kg.

 

 

Um operador, dois drones

Uma das demonstrações realizadas durante o Mondego Agrícola mostrou precisamente outra das capacidades do sistema: a possibilidade de um único operador trabalhar com dois drones em simultâneo.

 

O P150 Max suporta operação em conjunto de duas aeronaves a partir de um único controlador, aumentando a capacidade de trabalho sem exigir um segundo operador.

 

Esta funcionalidade enquadra-se numa máquina desenvolvida para realizar diferentes tipos de operações agrícolas. Além da pulverização, o P150 Max pode ser utilizado para distribuição de sólidos, mapeamento e até transporte de cargas, apresentando uma capacidade máxima de carga útil de 80 kg.

 

No caso da pulverização, dispõe de um depósito de 80 litros e pode atingir um caudal máximo de 46 litros por minuto quando equipado com o sistema de quatro bicos. A largura de pulverização indicada pelo fabricante situa-se entre 5 e 10 metros.

 

Para aplicação de produtos sólidos, o sistema RevoCast P5 utiliza um depósito de 115 litros, com uma carga nominal de 80 kg, podendo trabalhar com diferentes tipos de granulados, incluindo fertilizantes e sementes.

 

 

Das culturas extensivas à vinha e aos pomares

Questionado pelo Comércio Máquinas sobre o perfil de agricultor para o qual esta tecnologia poderá ser particularmente interessante, Roberto Oliveira aponta desde logo para as culturas extensivas.

 

“O pessoal do arroz e de outras áreas extensivas. As culturas de campo aberto, o arroz, o milho e as próprias hortícolas são clientes-chave para este tipo de equipamentos”, explicou.

 

Mas a utilização dos drones agrícolas não se limita às grandes parcelas de culturas arvenses.

 

Pela própria área geográfica de atuação da J. Inácio, a empresa trabalha igualmente com muitos viticultores e fruticultores, duas áreas onde Roberto Oliveira identifica vantagens importantes na utilização desta tecnologia.

 

 

“Seja a cultura da vinha ou a cultura do pomar, são culturas que acabam por necessitar de um equipamento deste género, porque a fase inicial de tratamento por vezes ainda é numa altura em que as terras não possibilitam a entrada do trator ou, quando ele entra, existem algumas dificuldades acrescidas.”

 

É precisamente neste tipo de situações que um drone pode apresentar uma vantagem operacional evidente.

 

Entrar quando o trator não consegue

Depois de períodos de chuva ou quando os terrenos apresentam pouca capacidade de sustentação, a entrada de um trator e respetivo pulverizador pode tornar-se difícil ou mesmo impossível.

 

Além do risco de atolamento, a passagem de equipamentos terrestres implica tráfego sobre a parcela e potencial compactação do solo. O drone permite realizar a aplicação sem contacto com o terreno e sem necessidade de circular entre as plantas.

 

“É aí que o drone vem colmatar este problema com que os agricultores já lidam há alguns anos”, salientou Roberto Oliveira.

 

Esta característica poderá assumir particular importância quando existe uma janela reduzida para efetuar determinado tratamento e as condições do terreno impedem a entrada imediata das máquinas convencionais.

 

 

Tecnologia preparada para diferentes operações

O XAG P150 Max é uma plataforma modular, podendo ser configurado de acordo com o trabalho a realizar.

 

No sistema de pulverização RevoSpray P5, a dimensão das gotas pode ser ajustada de acordo com a aplicação, enquanto o fluxo de ar descendente gerado pelos rotores contribui para a penetração da pulverização na cultura.

 

Na distribuição de sólidos, o RevoCast P5 permite trabalhar com materiais granulados de diferentes dimensões, possibilitando operações como aplicação de fertilizantes ou distribuição de sementes.

 

O P150 Max dispõe ainda de sistemas de deteção de obstáculos e capacidade de acompanhamento do terreno, procurando automatizar uma parte significativa da operação e manter a precisão durante o voo.

 

 

Uma área com procura crescente

A reação dos agricultores a estas soluções tem sido, segundo Roberto Oliveira, positiva.

 

O interesse acompanha uma evolução mais ampla da mecanização agrícola, em que o drone começa progressivamente a deixar de ser visto apenas como uma ferramenta de captação de imagens ou monitorização das culturas para passar a assumir diretamente operações no terreno.

 

A capacidade de aplicar líquidos e sólidos, trabalhar em parcelas onde a entrada de máquinas terrestres é difícil e colocar mais do que um drone sob controlo do mesmo operador abre novas possibilidades de utilização.

 

No Mondego Agrícola, a demonstração dos dois XAG P150 Max permitiu precisamente perceber essa evolução. Mais do que substituir indiscriminadamente os equipamentos convencionais, esta tecnologia apresenta-se como mais uma ferramenta à disposição do agricultor, particularmente interessante quando rapidez de intervenção, acessibilidade ao terreno e capacidade operacional são fatores determinantes.