Um projeto europeu está a desenvolver um sistema inovador que permite armazenar hidrogénio diretamente nas rodas de veículos pesados, abrindo novas perspetivas para a autonomia e eficiência da maquinaria agrícola e de construção.

- Hidrogénio como vector energético
- Depósitos integrados nas rodas
- Maior autonomia sem aumentar dimensões
- Alternativa ao gasóleo no campo
- Eletrificação combinada com célula de combustível
- Sem recurso a terras raras
- Aplicação em maquinaria pesada
Armazenamento de hidrogénio nas rodas: uma abordagem que pode transformar o sector
A transição energética na maquinaria agrícola e de construção tem avançado a um ritmo mais lento do que noutros sectores. Trata-se de equipamentos que operam durante longas jornadas, em ambientes exigentes e frequentemente longe de infraestruturas de abastecimento ou carregamento. Neste contexto, o hidrogénio começa a afirmar-se como uma alternativa viável.

Um dos principais desafios tem sido o armazenamento: como garantir autonomia suficiente sem comprometer o design ou a funcionalidade das máquinas. É precisamente aqui que surge uma solução inovadora — utilizar as próprias rodas como reservatórios de energia.
Um novo conceito: rodas como parte do sistema energético
A solução desenvolvida pela Hörmann Vehicle Engineering propõe a integração de depósitos de hidrogénio gasoso diretamente nas rodas do veículo. Mais do que uma simples alteração de layout, trata-se de uma redefinição do conceito de aproveitamento de espaço. As rodas deixam de ser apenas um componente mecânico e passam a assumir um papel ativo no sistema energético da máquina.

Este conceito permite utilizar um volume até agora pouco explorado, aumentando a capacidade de armazenamento sem necessidade de ampliar as dimensões do equipamento. O objetivo é claro: atingir uma autonomia comparável à de um trator diesel convencional — ou seja, permitir uma jornada completa de trabalho sem necessidade de reabastecimento. No contexto agrícola, este fator é decisivo. Mais do que um detalhe técnico, é a diferença entre uma solução viável no terreno e uma tecnologia que permanece limitada ao laboratório.
Integração com sistemas elétricos: uma nova arquitetura
O conceito não se limita ao armazenamento de hidrogénio. Está associado a um sistema integrado que combina rodas com depósito de hidrogénio e motores elétricos incorporados nas próprias rodas. Esta abordagem permite uma arquitetura mais modular e eficiente, com menor dependência de transmissões mecânicas, redução de perdas energéticas e maior controlo individual sobre cada roda — uma lógica já presente na eletrificação do transporte, agora adaptada à maquinaria pesada. Outro aspeto relevante é a utilização de motores sem recurso a terras raras, reduzindo a dependência de matérias-primas críticas e contribuindo para uma maior sustentabilidade do sistema ao longo do seu ciclo de vida.

Principais vantagens
Este conceito apresenta várias implicações relevantes:
- Maior densidade energética sem aumento das dimensões do veículo
- Novas possibilidades de design, com máquinas mais compactas e flexíveis
- Redução potencial das emissões de CO₂ em operações agrícolas e industriais
- Menor dependência de combustíveis fósseis em ambientes rurais
- Tecnologia adaptável a diferentes tipos de veículos pesados
Acima de tudo, responde a um dos principais desafios do hidrogénio neste sector: garantir autonomia real em condições de trabalho exigentes.
Um projeto com apoio europeu
O desenvolvimento integra o projeto RAHD, focado em soluções de armazenamento e tração para veículos pesados, contando com apoio de entidades regionais alemãs e financiamento europeu. Este enquadramento reflete o interesse crescente em descarbonizar sectores onde a eletrificação baseada exclusivamente em baterias apresenta limitações.

Perspectivas e potencial
Este tipo de solução aponta para uma abordagem mais ajustada à realidade do sector: adaptar a transição energética às necessidades específicas de cada aplicação, em vez de impor modelos únicos.
No caso da maquinaria pesada, o hidrogénio poderá complementar — e não substituir — a eletrificação convencional. Numa fase inicial, a aplicação poderá concentrar-se em frotas agrícolas ou de construção com operações previsíveis, onde a implementação de pontos de abastecimento é mais viável. A médio prazo, a produção de hidrogénio verde em zonas rurais — associada, por exemplo, a fontes renováveis como solar ou eólica — poderá permitir a criação de sistemas energéticos locais integrados, com produção, armazenamento e consumo no mesmo território. Além disso, a integração do armazenamento em elementos estruturais do próprio veículo abre novas possibilidades de conceção, reduzindo peso morto e aumentando a eficiência global.

Apesar dos desafios técnicos, económicos e de infraestrutura ainda existentes, esta abordagem introduz uma ideia relevante: utilizar os próprios componentes da máquina para resolver um dos maiores obstáculos do hidrogénio — o armazenamento eficiente.
Fonte: ecoinventos.com
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