NOTICÍA

FENAREG identifica 111 projetos de regadio que exigem investimento de 1,1 mil milhões de euros

21 Out 2026

A Federação Nacional de Regantes de Portugal (FENAREG) alerta para a necessidade de acelerar os investimentos no regadio nacional, identificando 111 projetos que representam cerca de 1,1 mil milhões de euros. O financiamento e a execução da estratégia “Água que Une” estarão em destaque nas XVII Jornadas FENAREG, que decorrem nos dias 18 e 19 de novembro, em Reguengos de Monsaraz. A carteira de projetos identificada pela FENAREG contempla intervenções de reabilitação, modernização e segurança de infraestruturas hidroagrícolas, destinadas a reduzir perdas de água e energia, melhorar a eficiência dos sistemas de rega e reforçar a capacidade de armazenamento e distribuição.

 

Promovidas pela FENAREG, em parceria com o Município de Reguengos de Monsaraz, as XVII Jornadas FENAREG – Encontro Regadio 2026 reunirão responsáveis políticos, entidades públicas, gestores de infraestruturas, associações de regantes e agricultores para debater as prioridades de investimento, os mecanismos de financiamento e o calendário de execução da estratégia nacional “Água que Une”. A Federação considera que a aprovação desta estratégia criou um enquadramento importante para o desenvolvimento do regadio, mas defende que é agora necessário assegurar os recursos financeiros e definir prazos concretos para a concretização dos projetos, alguns dos quais já se encontram em condições de avançar para obra.

 

“Portugal já conhece as necessidades e dispõe de projetos concretos. A questão que se coloca agora é saber quais avançam primeiro, como serão financiados e quando começam as obras. Adiar não representa uma poupança: prolonga as perdas de água, agrava os custos de manutenção e limita a capacidade de produzir alimentos no nosso país, com um elevado custo para os cidadãos e para a nossa economia”, afirma José Núncio, presidente da FENAREG.

 

Investimento no regadio poderá atingir 2 mil milhões de euros até 2030

De acordo com as estimativas da Federação, as necessidades de investimento no regadio coletivo nacional ascendem a cerca de 2 mil milhões de euros até 2030. A FENAREG alerta ainda que um atraso de dez anos na concretização dos investimentos agrícolas previstos na estratégia “Água que Une” poderá representar um custo superior a 5,4 mil milhões de euros para a economia portuguesa.

 

A Federação sublinha que o adiamento destas intervenções compromete não apenas a modernização das infraestruturas existentes, mas também a competitividade da agricultura nacional, a eficiência na utilização dos recursos hídricos e a capacidade de resposta aos desafios climáticos.

 

Água e segurança alimentar no centro do debate

Portugal dispõe atualmente de capacidade para armazenar o equivalente a cerca de 20% das afluências anuais, segundo os dados apresentados pela FENAREG. Apesar de receber água suficiente para responder às suas necessidades, a irregularidade da precipitação, as diferenças regionais e a limitada capacidade de retenção aumentam a vulnerabilidade do país aos períodos de seca. Para a Federação, a disponibilidade previsível de água constitui um fator essencial para garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade da produção agrícola.

 

Sem capacidade adequada para armazenar, distribuir e utilizar eficientemente este recurso, a produção nacional fica condicionada, aumentando a dependência das importações e dificultando a regularidade do abastecimento à indústria agroalimentar, à distribuição e aos consumidores. “Num contexto climático, económico e geopolítico mais instável, a capacidade de produzir alimentos é também uma questão de autonomia e soberania. A segurança alimentar começa muito antes de os produtos chegarem à indústria ou às prateleiras das superfícies comerciais onde ficam à disposição dos cidadãos: começa na existência de água para produzir”, sublinha José Núncio. As Jornadas permitirão ainda discutir o papel do regadio coletivo na Política Agrícola Comum após 2027, os modelos de financiamento dos investimentos e a articulação entre as diferentes entidades com responsabilidades na gestão dos recursos hídricos.

 

Circuito Hidráulico de Reguengos representa investimento superior a 88 milhões de euros

A realização do encontro em Reguengos de Monsaraz permitirá associar o debate nacional aos investimentos em desenvolvimento na região. O Circuito Hidráulico de Reguengos e os respetivos blocos de rega representam um investimento superior a 88 milhões de euros e deverão beneficiar aproximadamente 10.273 hectares de terrenos agrícolas.

 

Só o Bloco de Rega de Reguengos abrangerá cerca de 4.786 hectares, numa região caracterizada pela presença de vinha, olival e pequenas explorações agrícolas. A concretização destas infraestruturas deverá contribuir para melhorar as condições de produção, aumentar a disponibilidade de água para a agricultura, atrair novos investimentos e reforçar a atividade económica no território. O programa das XVII Jornadas FENAREG inclui, entre outros momentos, o painel “Bloco de Rega de Reguengos: o futuro da região” e o debate “Água que Une – Da estratégia à execução: o novo ciclo de investimento no regadio português”.

 

No dia 19 de novembro, os participantes terão ainda oportunidade de realizar uma visita técnica às obras do Circuito Hidráulico de Reguengos, à reabilitação do aproveitamento hidroagrícola do Lucefecit e a uma exploração agrícola da região. As XVII Jornadas FENAREG são promovidas pela Federação Nacional de Regantes de Portugal, em parceria com a Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz.

 

O programa completo e as inscrições estão disponíveis em www.fenareg.pt.